12 Novembro, 2019 Sapien Livre 9Comment

Eu acredito que já tenha comentado aqui que larguei o emprego, mas não falei o por quê e acho interessante compartilhar.

No começo do ano, por volta de fevereiro (2019), fui demitido do emprego que já trabalhava a seis anos. Como acontece com todo pé na bunda que levamos, fiquei por um pequeno período de tempo triste, como se precisasse provar meu valor para aqueles que me dispensaram ( uma espécie de troco).

A verdade é que depois de alguns e-mails e contatos em menos de duas semanas já estava trabalhando novamente, com salário maior do que o anterior, porém ter dado o troco não me fez mais feliz. Eu não fiquei melhor por voltar a trabalhar e nem por ganhar mais dinheiro. Percebi que o ambiente mudou, as pessoas mudaram, mas tudo era a mesma coisa.

Reuniões improdutivas, pessoas superficiais, metas corporativas, regras, processos chatos e inúteis. Não sei porque, mas tudo aquilo não estava fazendo mais sentido. Talvez eu não me enquadre no modelo corporativista, mesmo em teóricas boas empresas, com emprego invejado pela maioria das pessoas, as coisas não dão liga.

O emprego era bom, desafiador, traria bastante aprendizado e ainda com melhor salário, mas não estava legal. Eu, a cada manhã que levantava precisava respirar fundo para encarar mais um dia. Enxergava movimentos bovinos nas pessoas, seja no transporte ou nos horários para as refeições e todo resto, tudo parecia como uma grande manada. Não sei se é somente eu vejo desta forma, mas quero comer quando sinto fome e não no horário que alguém determinou, quero produzir quando me sinto produtivo, isso vale também para dormir e acordar.

Taquei um foda-se

TAQUEI UM FODA-SE

Como tudo que eu interagia durante o dia parecia me falar… – Peça demissão! Seja uma placa de transito escrito PARE, um livro que estivesse lendo ou até uma musica qualquer. Tudo parecia me dizer Demita-se! Como sou um cara que procura tomar ações dominado pela razão, me permiti duas semanas para ver se aquele sentimento passaria.

No final das duas semanas, em uma sexta feira chuvosa, a noite, comuniquei minha demissão. Me despedi dos colegas de trabalho, virei as costas e nunca mais voltei. Naquela noite o ar estava diferente, sentia um misto de alegria e medo e tudo isso era muito excitante.

Uma vez li um texto de um blog FIRE, lá de fora, que falava algo mais ou menos assim:

Se você não sabe onde está, pare de andar. Você vai querer se mexer porque, quando se mexe, sente que está agindo. Você sente que está progredindo. Na realidade, você provavelmente está se perdendo. Lute contra o desejo de continuar e sente-se. Espere. Olhe para o seu mapa, oriente-se, descanse e confie. Você descobrirá onde está ou alguém o encontrará. ( Esta foi uma orientação de um guia turístico sobre se perder na trilha) – https://www.the76kproject.com/

Acho que é este meu momento, preciso parar, olhar para o mapa, descansar. Em outras palavras poderia dizer que é um sabático, em outras menos educadas… mandar todo mundo a merda e de uma forma mais popular, tacar um foda-se.

Financeiramente, com certeza, não é a melhor decisão, mas esse é o lado bom da independência financeira, até mesmo antes de a ter 100%, uma independência parcial lhe permite tomar decisões que vão trazer ganhos a longo prazo.

Afinal de contas, qual é o valor da sua saúde mental?

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Foda-se o dinheiro

9 thoughts on “Taquei o FODA-SE

  1. Oi Sapien,

    Entendo profundamente os sentimentos que te levaram à demissão. Eu sinto isso que você escreveu, a sensação de manada, conversas superficiais, no meu caso, que sou funcionária pública, parece que nada muda, as conversas são as mesmas, e sei que daqui a 20 anos, estarei com as mesmas pessoas, ouvindo as mesmas reclamações de sempre (de que a culpa é sempre do outro). Como eu sei que a minha IF está chegando, parece que tudo vai ficando cada vez mais insuportável, cada dia é uma luta para acordar e vir trabalhar.

    Beijos.

    1. Olá Yuka,
      Ainda bem que não estou sozinho neste mundo. Acho que estamos em estágios parecidos com relação a IF, no meu caso resolvi antecipar alguns capítulos, tem momentos que precisamos fazer algumas mudanças radicais. Acho que estou neste momento.
      Bjão!!

    2. Viver sem pressa Tenho essa mesma sensação, já atingi a IF agora estou buscando a liberdade financeira. A cada mês q faço mais aportes e fico mais próxima do meu objetivo tenho menos vontade de trabalhar mesmo trabalhando no q gosto parece q o fato de ser “obrigado” a cumprir horário, acordar cedo para trabalhar, pegar trânsito incomodasse mais a cada dia.
      Mas sigo firme com foco no objetivo e sempre q tenho oportunidade tiro umas férias para recarregar as baterias.

  2. O seu quarto paragrafo expressa exatamente o que sinto. Lembro que quando terminou a última reunião no final do mês, todos se levantaram estavam empolgados com as metas alcançadas (trabalho na CEF), iam tirar a foto do mês, aquela alegria e eu lá sentando vendo aquilo como se fosse uma alma que estava fora do corpo e observa-se tudo do alto. Apoiei as mãos na cadeira e fui levantando lentamente e pensando: “sou o cara mais deslocado daqui”. “eu realmente não faço parte desse mundo”. Como nos último anos acabei inflacionando minha vida e dependo do dinheiro. Vou seguindo a manada e aportando mês a mês para um dia me libertar. E como vc falou, é um trabalho que todos amam, que as pessoas almejam, pagam bem e hoje eu literalmente odeio ir lá. Tenho 2 filhos pequenos que dependem de mim e vamos lá engolir esses sapos por mais alguns anos.

    Um Abraço
    Sniper

    1. Olá Sniper,
      É muito bom compartilhar essas experiencias. Acredito que nós, que temos essa percepção de mundo, como que enxergando uma matrix, somos raros, mas fazemos muito barulho e diferença no mundo. Continue fazendo seus aportes, sem dúvida em breve vai poder largar seu trabalho sem prejudicar suas obrigações financeiras com sua família.
      Abraço.

  3. Gente, estou nessa vibe também…. depois que comecei a me aprofundar em IF e FIRE a poucos meses parece que só meu corpo está presente no trabalho e quando surgem as conversas e afins tanto e no meu caso como lido diariamente com alta gestão aguentar aquelas conversas de beber, farra, viagem, carrão …. nossa parece até que saio da sala com 1 tonelada nas costas. Mas como disse nosso amigo Sniper, também tenho 2 filhos pequenos e eles precisam de meu suado amigo dinheiro. Como diz também nossa amiga Yuka, esses soldadinhos precisam trabalhar e muito pela nossa causa.

    abraços!

    1. Oi Michele,
      Nossa, essa sua frase “…parece que só meu corpo está presente no trabalho” é um ótimo exemplo de auto conhecimento, mas que traz consequências, caso não façamos nada, muito ruins. Acho que nós FIREs, temos uma forma diferente de enxergar o mundo e isso acaba nos isolando das pessoas. Precisamos ter atenção pois como seres humanos precisamos nos socializar.
      Diferente de Você, do Sniper e da Yuka, eu sou solteiro e sem filhos. Não que eu não possua obrigações financeiras em casa, mas isso me permite tacar o FODA-SE com maior facilidade. No entanto, penso que vocês também podem fazer isso, na medida que passem a depender cada vez menos do dinheiro para pagar as despesas essenciais, para isso precisamos de paciência, disciplina e inteligencia financeira.
      Seguimos nessa caminhada!
      Bjos.

      1. Sapien, a mente e a concentração também estão muito bem presentes quando solicitadas…aliás adoro os dias cheios de ‘incêndios’ para apagar pois daí o dia passa voando…rsrsrs, assim como quando chego em casa depois de 12 horas fora minha atenção está focada no marido e nos bbs. Como temos 1:30 de almoço e acabo utilizando menos que 30 minutos para a refeição, o restante do tempo é utilizado para analisar contas, planejamento pessoal, leitura de livros, etc.
        O momento socialização fica para os 20 minutinhos de café ou para a festa mensal de aniversariantes ;).
        Bjos.

        1. Oi Michele,
          Que ótimo que consegue utilizar seu tempo com sabedoria. Eu costumo separar o tempo em dois estágios: aquele que temos domínio e aquele que vendemos por dinheiro. Infelizmente as vezes não sabemos lidar com o tempo que não foi vendido. Fico contente em saber que consegue lidar com sabedoria com esses dois estágios e por compartilhar com a gente.
          Grande abraço.

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