Comportamento

Tá ruim, mas tá bom

9 Junho, 2021 Sapien Livre 10Comment

Uns anos trás, poucos meses antes de eu largar meu emprego, fui almoçar com uma amiga de velha data. Nós estagiamos juntos e acabamos tomando caminhos diferentes até que uns oito anos depois ela foi contratada pela empresa que eu trabalhava.

Lembro que no almoço, ela me falou sobre como a vida dela caminhou, casada, com um filho pequeno e trabalhando na mesma área que iniciou. Como de costume como faço meus melhores amigos, fiz inúmeras perguntas de reflexão sobre vida, trabalho e dinheiro.

Nesse período que estávamos almoçando percebi que ela ficou um pouco retraída, então perguntei o porquê disso. Ela respirou, pensou por um período e me respondeu que minhas perguntas, se fossem realmente respondidas com sinceridade, teria de tomar atitudes e mudar muitos aspectos de sua vida.

Vida Meia Boca

Todo esse rodeio foi só um exemplo para ilustrar como nós, na grande maioria das vezes aceitamos levar uma vida de forma infeliz, ou parcialmente feliz. O que na verdade poderia ser chamado de vida meia boca. Sabe aquela ideia de tá ruim, mas tá bom? Tipo mudar vai demandar muito esforço, coragem e mesmo assim, pode ser que não dê certo… então melhor empurrar com a barriga.

O trabalho de mudar

Mudar dá um trabalho danado, eu escrevi sobre isso nesse post. e o pior ainda é o medo do que pode acontecer, as consequências de tentar ousar ser feliz. De ser contrariado pelos parentes, pelas pessoas que amamos, ou na pior hipótese de trazer sofrimento por nossas atitudes e ações.

Quando se coloca tudo isso na balança, a pessoa toma as mesmas atitudes que minha amiga… melhor mudar de assunto, melhor nem pensar, porque se realmente for mexer com essas questões pode dar ruim. E pode mesmo… a liberdade cobra um preço que muitas pessoas não estão dispostas a pagar.

Achar que não é merecedor

Uma coisa que eu vivi por muitos anos, e em algum momento ainda tenho, é o sentimento de achar que não sou merecedor. Às vezes me pergunto porque pessoas leem o que escrevo, escutam o que eu falo ( No Boteco FIRE) e tem interesse por minhas ideias e filosofia de vida.

Sei que isso é uma crença limitante, e é muito clichê, mas é exatamente isso… uma crença limitante.

Sempre achar que vai ter tempo

Deixa para o ano que vem, não… deixa para quando tiver X valor na conta, com o cargo Y e os filhos com a idade certa…  Aí então vou ser feliz…
Nós humanos temos uma terrível percepção de imortalidade, nunca acreditamos que o tempo pode ser bem menor do que imaginamos. Já pensou que soubéssemos a data de nossa morte? Será que iriamos deixar para ser feliz aos 45 do segundo tempo?
Esse período sombrio de pandemia tem nos mostrados que nada é certo, tudo passa e deixar para depois é morrer aos poucos, um suicídio a conta gotas. Não que devemos ser irresponsáveis, mas negligenciar a própria felicidade é a mãe das irresponsabilidades.
E você… está deixando para ser feliz quando?
Imagem por Pixabay

10 thoughts on “Tá ruim, mas tá bom

  1. Excelente reflexão Gleisão!

    Apesar de todo o texto me chamar a atenção, o que mais se aproximou de uma reflexão de tive essa semana foi a ultima parte, li um livro que conta os 5 maiores arrependimentos das pessoas na hora da morte, de uma cuidadora de idosos que viu muitos passarem por esse momento. Uma das frases que me fez parar pra refletir foi: se vc soubesse quando vai morrer, agiria diferente? Se a resposta é sim, então vc agiria pra uma coisa certa, imagina pra algo incerto, que vc não sabe, pois vc pode simplesmente morrer amanhã!

    Acho bem legal essa passagem, fica aí de acréscimo pra qm for ler esse comentário.

    1. Fala Moleque!!

      Eu não li este livro que citou, mas já vi muitos comentários sobre… quero ler em breve.
      Realmente é uma questão muito inteligente… O engraçado é que nós sabemos que vamos morrer, só não sabemos quando. Neste sentido a única coisa que deveríamos questionar é quando. No entanto, temos uma falsa ideia de imortalidade… por isso sua colocação para complementar o texto é muito válida.
      Obrigado Mano!!

  2. Excelente Sapien!

    O passado é imutável e o futuro é incerto, só nos resta fazer o que gostamos, o que bem entendemos com o presente. Sempre da melhor maneira para podermos olharmos para trás e sentirmos orgulho do hoje.

    Abraços, e continua no boteco que já sou fã de carteirinha.

    1. Olá One Million,

      Fazer esse trade é sempre complicado. Até que ponto viver o momento e sacrificar algum ganho futuro vale mais a pena. principalmente quando falamos de investimentos e dinheiro, sempre acreditamos que algumas dezenas de reais gastos hoje poderiam ser algumas centenas de reais no futuro. É de se pensar e agir com prudência, porém sempre tendo o presente como maior bem e a única coisa certa.
      Bora participar de um bate papo n Boteco também!

      Abraço.

  3. Compartilhar conhecimento é uma atitude generosa.
    Pensar “não ser merecedor” não poderia ser considerado como humildade?

    1. Olá Fernando,

      Sim, acho que também pode ser humildade no sentido de considerar que todas as pessoas tem algo a ensinar. Acho que também podemos olhar por essa perspectiva já que a humildade é um sentimento tímido. Tá aí mais um bom ponto para reflexão.

      Obrigado por contribuir.

  4. “Às vezes me pergunto porque pessoas leem o que escrevo, escutam o que eu falo”

    A resposta é sim. Eu percebo que a percepção e a sensibilidade de você e de tantos outros na Firesfera possuem. Essa reflexão é importante para muitas pessoas (me incluo também) que foram instruídos (programados) a seguir um roteiro de estudar, trabalhar e ter uma família. Porem poucas vezes recebemos educação para refletir sobre nossa vida ou das influencias que temos sobre o próximo.

    Essa “Síndrome do Impostor” é algo que temos com frequência ao longo da caminhada. Continue a postar e falar no “Buteco”. Curto muito o boteco Fire e vou criar coragem para participar um dia.

    Abraços,

    1. Olá V.A.R

      Não conhecia esse termo, Síndrome do Impostor”, mas é bem isso… a percepção as vezes é de ser impostor.
      Acho que fazer uma auto analise, refletir sobre a vida e as coisas que nos são impostas é essencial para se conhecer e não ser facilmente manipulado. Acontece que muitas vezes esse conhecimento gera sofrimento se não estivermos dispostos a mudar, entende?
      Obrigado pelas suas palavras e com certeza será muito bom ter você batendo um papo no Boteco. mande e-mail para o pessoal lá e vamos bater esse papo.

      Abraço.

  5. É sempre curioso que muitas vezes nós conseguimos identificar o problema e suas causas, entretanto conseguimos enganar nosso cérebro para que ele não veja isso, e não chegue na conclusão de que a “dor” da mudança vale mais apena do que continuar vivendo com o problema.

    Gosto de ler o que você escreve, principalmente pois você sempre reflete sobre aspectos da vida cotidiana.

    Abraços,
    Pi

    1. Exatamente isso PI. Eh como ter um espinho no pé e não ter coragem de tirar… Aos poucos vamos acostumando com a dor deixamos de percebê-la.
      Obrigado por acompanhar o blog.

      Abraço

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