19 Setembro, 2019 Sapien Livre 7Comment

Essa pergunta me deixa um pouco confuso. Da mesma forma que acho que não estou fazendo sacrifícios, também acho que preciso dizer muitos nãos para coisas que gostaria de dizer sim.

No entanto, gosto muito de uma frase que a Yuka, do blog Viver Sem Pressa, me falou um dia desses: “não é sacrifício, são escolhas.”

Eu escolhi, a sete anos atrás, que não gostaria mais de trabalhar apenas por dinheiro. Resolvi repensar minha vida e o que chamo de romper com o modelo, por isso algumas ações comuns à maioria das pessoas não fazem o menor sentido ou falta para mim.

Ser FIRE torna a vida mais difícil?

Quando eu converso com alguns amigos, tenho a impressão de que eles acham que eu sou um pão duro miserável que vive de pão e água. Existe um mito de que devemos escolher entre viver ou guardar dinheiro.

As pessoas ainda não compreenderam que não é o dinheiro e sim as escolhas que limitam nossas vidas.

Quando valores estão alinhados com as ações não sofremos nem com o sacrifício e nem nos deslumbramos com coisas efêmeras.

A parte ruim, neste sentido, de ser um FIRE é o isolamento, você se torna quase que um extra terreste. Na verdade ou acham que você é um milionário ou então não passa apenas de um sonhador sem noção. De qualquer forma, isso nos leva a uma certa solidão. Assim como são poucos os que chegam ao cume de uma montanha, também são poucos os que embarcam na jornada FIRE para valer.

Talvez isso explique a grande quantidade de FIREs que são blogueiros. Essa necessidade de compartilhar, de se comunicar e ajudar outras pessoas a buscar a independência Financeira pode ser uma tentativa de fugir da solidão.

Eu conheço algumas pessoas que gostariam de melhorar a vida financeira, porém estão muito focadas no “como”, quando na verdade o mais importante é o “porquê”.

Se não possui um bom motivo para fazer mudanças irá desistir. Assim como alguém que escapou da morte por problemas de saúde sempre encontra tempo para se cuidar e continuar vivo, alguém que deseja mudar as finanças precisa de um grande motivo para tal, desta forma qualquer renúncia ou privação deixa de ser sacrifício e vira apenas uma escolha.

A jornada FIRE não é fácil, precisamos de muito foco, disciplina, estudo, comprometimento, planejamento e ainda uma capacidade de lidar com opinião contrária que poucos possuem. No entanto, nada disso é sacrifício para um verdadeiro FIRE.

 

7 thoughts on “Qual sacrifício você está fazendo para alcançar a Independência Financeira?

  1. Pois é… hoje completando mais uma primavera (no total de 42) estou refletindo muito a respeito de como levo a vida e comecei na pesquisa de economizar, passando por investimentos, minimalismo, independência financeira e caindo aqui no FIRE, vejo como perdi tempo ( e muito dinheiro) tentando agradar aos outros e preencher um vazio que agora percebo que só será preenchido quando eu realmente preenchê-lo de forma correta. Estou criando forças para levar o FIRE à sério com um plano de 12 meses para reestruturação financeira (colocar tudo em seu devido lugar) e na próxima primavera em 23/09/2020 já com a bagagem mais leve e a conta bancária mais gorda vislumbrar um futuro com menos estresse e mais realizações!

    1. Ola Micheli, tudo bem?

      Feliz aniversário, os finais de ciclos são ótimos oportunidades para repensar nossas vidas e nossos valores.
      Muito bom saber que chegou a conclusões que irão te levar a uma vida financeira mais inteligente e saudável.
      Não importa o tempo que levou para buscar um planejamento financeiro, importante é que descidiu e começou a agir.

      Lembre-se que um projeto de longo prazo precisa de muita disciplina e força de vontade. Por isso se puder, tente automatizar algumas decisões para não cair em armadilhas criadas por você mesma.

      Grande beijo

  2. Oi!
    Acho que meu sacrifício é fazer politicagem pra evitar mostrar um ponto de vista diferente por uma escolha de vida,
    No meu caso, tratava se de um plano de vida ainda que não fosse a inclusão financeira, tinha muito a ver com liberdade e ter a minha independência e isto, era algo a se explicar, por que , queriam que eu explicasse. Mudei. Não explico mais nada. Sorrio, troco de assunto. Só devo assunto a quem me ama e tem ouvidos de vdd. Fora isso, para curiosos, não gasto nada de saliva. Mantenho minha paz com minhas escolhas. Bjos

    1. Hoje já tenho algumas aplicações em títulos do tesouro e poupança que já são transferidos automaticamente no dia seguinte que recebo meu salário. A poupança na verdade serve penas como ‘ponte’, ou seja, apenas pra sumir com o dinheiro da conta antes que o bichinho do consumismo ataque e depois com calma transfiro para outro investimento.
      O que gostaria de uma opinião sua na verdade é saber se é boa ideia transformar as contas individuas minha e de meu marido em conjunta pois hoje cada um tem a sua e cada um é responsável por uma parte das despesas da família (temos gêmeos de 1 ano e meio). Entendo que seria mais fácil a vigilância conjunta para que nenhum caia em tentação. Será que tem sentido?
      Abraços!

        1. Tudo bem, sem problemas.
          Vamos à sua pergunta.
          A logística do dinheiro importa muito. Desta forma se for possível ter apenas uma conta para gerenciar os custos da casa funciona muito bem.
          Não existe um modelo certo, mas o que mais costuma funcionar é simplificar tudo. Uma conta, um cartão.
          Mais importante é que o casal tenha o plano em comum e um acordo bem desenhado.
          Dá uma lida na entrevista que a Yuka, do Viver sem pressa concedeu para mim. Ela é casada e com filhos e está na caminhada fire. Link abaixo.
          https://sapienlivre.com/independencia-financeira-para-casais-com-filhos/

    2. Oi Ana, tudo bem?
      Muito interessante esse ponto de vista que coloca. Eu, quando escrevi este artigo pensava apenas nos sacrifícios financeiros, mas é uma verdade o sacrifício que aborda. Inclusive, acho que lidar com a opinião das pessoas que amamos e são amigos é muito mais complicado do que ignorar os que não valem a pena. Geralmente são as pessoas mais próximas que nos desencorajam.

      Bjos.

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