16 Outubro, 2019 Sapien Livre 6Comment

A pouco tempo escrevi sobre a síndrome do FOMO ( Fear of missing out) que é o medo de ficar de fora, de não participar. Existe uma outra síndrome também de nome estranho mas que pode ser bem mais perigosa. É a FOPO ( Fear of other people’s opinions). Nada mais que o medo do que os outros pensam ou a famosa dúvida aterrorizante… o que vão pensar de mim?

O que vão pensar de mim?

Me responda… quantas vezes você deixou de fazer alguma coisa pelo medo do que as pessoas iriam pensar ou julgar de você? Eu não consigo nem sequer contar de tantas vezes que deixei de fazer coisas em função do medo do julgamento alheio.

Isso é terrível, mas acredite, faz parte do nosso sistema natural de defesa. Nosso cérebro pré histórico ainda carrega algumas informações que não são mais tão  necessárias hoje em dia, mas estão lá.

Ser julgado e excluído de um grupo nos tempos das cavernas poderia significar a morte. Essa é uma das razões que nós faz sentir tanto medo do julgamento alheio, não é só uma simples vergonha, pode ser comparado com o medo de morrer.

Uma das  coisas que observei sobre esse medo de julgamento é que as pessoas que mais sofrem, também são as que mais julgam. É a outra face da mesma moeda, algo realmente bíblico… veja o trecho que tirei de uma passagem da bíblia:

 (Matheus 7) Não julgueis, para que não sejais julgados.

2 Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós

Viu aí?  A gente começa julgando os outros e esse julgamento acaba se tornando barreira, uma ancora para nós mesmos.

Exercício Estóico

Me parece que os antigos eram bem mais habilidosos em lidar com a FOPO do que nós, seres altamente informados e tecnológicos.

A filosofia estoica tinha um exercício muito prático para aprender a lidar com julgamentos. Eles se vestiam de forma ridícula e se colocavam, de propósito, em situações embaraçosas com o único intuito de aprender a lidar com o julgamento alheio.

Quando condicionamos nossas ações ao julgamento do que vão pensar, estamos vivendo uma vida que não é nossa. O que é pior, não importa o que faça sempre será julgado.

Qual a solução?

Fato que não existe uma forma de ficar alheio ao mundo. Geralmente quem consegue isso são os psicopatas. O que precisamos é de autoconhecimento para saber o que realmente é importante e vale a pena confrontar o mundo, como também quais são as pessoas que devemos considerar na hora de lidar com julgamentos.

O que é pior… viver frustrado (a) ou tacar um foda-se no julgamento alheio?

Sempre seremos julgados, neste sentido é melhor optar por viver nossas vidas, independente do preço a ser pago.

Imagem por blickpixel – pixabay

 

6 thoughts on “O que vão pensar de mim?

  1. Nossa isso me lembrou no ano passado quando depois de um acidente meu carro precisou ficar na concessionária para reparos e eu tive que alugar um para poder trabalhar… aluguei um bem em conta, óbvio e quando minha mãe viu a primeira coisa que ela disse foi: Nossa o que os vizinhos vão pensar de você com esse carro bem inferior ou seu! Cara, eu nem tinha pensado nisso só queria resolver meu problema de poder ir trabalhar (trabalho em outra cidade) mas mesmo vc não pensando vai sempre ter alguém te lembrando disso.

    1. Nossa Michele,
      Pura verdade o que falou, até mesmo quando não estamos pensando sobre essa aspecto alguém estará nos julgando. Difícil pois não estamos alheios ao que os outros pensam, principalmente se for pessoas que consideramos. A questão é… como lidar com isso de forma consciente?
      Bjos

  2. Ainda bem que disso eu não sofre…literalmente caguei por outros…vivo em um nível tão foda-se para que os outros pensam, que chega a ser prejudicial….Sou um cara extremamente monetário, penso assim: “se alguém não me ajuda(ou ajudou) financeiramente (direta ou indiretamente), não tem o pq eu ligar pra essa pessoa !!

    1. Fala Sniper,

      Eu procuro ser um mix do que você pratica. Penso que não consigo ficar 100% alheio ao que os outros pensam, principalmente pessoas que amo, mesmo que eles não paguem minhas contas. Nem tudo é só finanças, acho que minha vida não é só minha. Encontrar um equilíbrio entre minhas escolhas e o que as pessoas que amo seria o mundo ideal. No entanto entre eu e eles, fico comigo mesmo.

      Grande abraço.

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