8 Novembro, 2019 Sapien Livre 4Comment

Quem leu o título deste artigo e não entendeu nada, antes de tudo precisa saber o que é o Movimento FIRE, de uma forma simples,  resumida pelo site The Retirement Manifest:

“Um movimento dedicado a um programa de extrema economia e investimentos que permite que os proponentes se aposentem muito mais cedo do que o permitido pelos orçamentos e planos de aposentadoria tradicionais.”

A sigla FIRE vem da abreviação das palavras em inglês, Financial Independence Retire Early, em uma tradução ao pé da letra seria Independência financeira e aposentadoria precoce. O que muita gente questiona é sobre o RE, afinal de contas, deixar de trabalhar aos trinta e cinco anos, no momento em que somos mais produtivos parece até um pecado.

A própria ideia de se aposentar, enquanto noventa e nove por cento da população ainda terá de trabalhar pelo menos mais trinta anos, não costuma ser muito bem visto pelas pessoas. Na verdade isso chega a soar como um absurdo, já que a maioria das pessoas vão chegar na terceira idade sem nenhuma reserva financeira dependendo exclusivamente do governo.

Aos olhos da sociedade, deixar de trabalhar jovem é vagabundagem e ainda uma forma de não contribuir com a economia e a sociedade. O que fazer com tanto tempo ocioso? Lembro que quando comentei com uma amiga que iria me aposentar, ela torceu os olhos me reprovando, perguntou… o que vai fazer da vida, não vai ser nada?

Essa pergunta, “não vai ser nada”, diz muita coisa sobre o que a sociedade entende como valores. Para nossa sociedade atual o que nos define é o emprego. Quando alguém vai nos conhecer e querem alguma referencia, perguntam o que você faz? A pergunta não é quem é você? A resposta que damos é sempre a profissão ou serviço que exercemos. Quando alguém pergunta o que você faz? Respondemos… sou professor, ou sou secretária, ou sou publicitário e é isso que irá nos definir perante a sociedade como alguém.

Movimento FIRE

Entendo que é exatamente por isso que existe uma sociedade doente, as pessoas acreditam que são definidas pelo trabalho que exercem, pela empresa que trabalham e quando , de repente, perdem o emprego deixam de existir. O que fica é apenas um vazio, pessoas que não trabalham são definidas como nada. Compreende?

Como preencher essa lacuna no movimento FIRE? Acho que todo mundo concorda com a ideia de independência financeira, mas existe uma grande resistência, confesso que até minha com relação ao não trabalhar. Será que é pecado ficar em casa ou escolher viajar o mundo, ou apenas cuidar de plantas?

Sabemos que o principal do movimento é o FI, ou seja, alcançar a independência financeira, pois com ela é possível escolher trabalhar ou não. Na verdade é possível eliminar o fator dinheiro como critério para escolher seu ofício. Então se gosta e encontra significado no trabalho que exerce, ótimo. Se odeia o que faz, melhor ainda, poderá buscar algo que ama, ou então, se não quer fazer porra nenhuma por algum tempo, foda-se o que os outros vão pensar.

A grande sacada é que nós FIREs podemos escolher. Só o fato de fazer escolhas torna a vida um presente diário e não uma agonia de esperar pelo happy hour, o final de semana ou as férias.

Ser um FIRE é viver todos os dias com a coragem de ser dono do próprio tempo.

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Imagem de capa por StockSnap e corpo do artigo Pexels –  Pixabay

4 thoughts on “O movimento FIRE sem o RE

  1. Oi Sapien, adorei o post de hoje. As pessoas (me incluindo também, já que pensava assim até alguns anos atrás), ainda pensamos de forma conservadora, achando que o mundo gira em torno só do emprego. Acho interessante o “fazer alguma coisa” no pós-FIRE para socializar, encontrar pessoas, conversar, se sentir amado, útil, principalmente para não entrar no famoso termo japonês hikikomori, onde a pessoa entra numa depressão profunda e se isola do mundo. Acredito que pessoas que almejam alcançar a independência financeira precisam paralelamente trabalhar o auto-conhecimento. Um beijo.

    1. Oi Yuka,

      Como sempre você abrilhanta a discussão com seus comentários muito inteligentes. Nao conhecia esse teemo japonês, vou procurar ler sobre.
      Eu acho que têm toda razão, auto conhecimento e uma busca constante e sem fim.
      Minha maior dificuldade neste sentido é também lidar com o excesso de opções. Essa é uma outra questão para reflexão.
      Bjos

  2. O comentário da sua amiga reflete o que a turma lá do banco onde trabalho pensa. E olha que meus planos são parar com 50 anos, comecei tem 1 ano e pouco o acumulo de patrimônio. Até sigo tentando “converter” algumas almas ao movimento FIRE, só que muitos já tem a vida inflacionada, descer um degrau é extremamente difícil.

    Obrigado pelas suas reflexões.

    Um Abraço
    Sniper

    1. Olá Sniper,
      Não é somente as pessoas do banco que você trabalha, são as pessoas de um modo geral pensam desta forma. Eu já parei de tentar convencer as pessoas, tento me fazer pelo exemplo e se alguém quiser aprender, ajudo. No mais, apenas faço minha parte.

      Grande abraço.

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