11 Agosto, 2019 Sapien Livre 6Comment

Todo mundo quer ser importante, todos nós gostaríamos de fazer algo significativo, de ser lembrado e admirado.

Basta observar as redes sociais e lá temos um palco para exposição de pessoas tentando se mostrar de forma relevante, feliz e autêntica.  São inúmeras frases de efeito acompanhadas de fotos na primeira pessoa em um lugar qualquer.

Porque as pessoas acham que o que estão fazendo é tão importante? Essa teórica febre narcisista me leva a uma conclusão:

O medo da humilhação de ser alguém comum

Quem é você? O que você faz? Ou melhor, o que você fez? Quantas pessoas te seguem? Quantos comentaram em seu post do último final de semana? E a carreira, está trabalhando naquela empresa top?

O quanto uma resposta sem muita relevância para essas perguntas pode influenciar negativamente na sua vida?  Será que temos que nos sentir importante a todo tempo, mesmo quando não estamos dando nenhuma contribuição para absolutamente nada?

Esses questionamentos, geralmente, estão cercados de julgamentos do tipo: Quem será que essa pessoa pensa que é? Será que ninguém fala para ela que não tem nada de especial…. Tá com o rei na barriga.

É muito confortante fazer esse tipo de julgamento, afinal, neste caso é sempre eles e não eu.

Essa necessidade de admiração e ser especial, de ser notado é julgado por nós como arrogância, mas se observarmos o questão de uma forma mais profunda, a causa de toda essa exposição e  vontade de se mostrar diferente tem como pano de fundo o medo da humilhação.

 Este é o diagnóstico feito pela pesquisadora e escritora Brené Brow, mais especificamente relatado em seu livro A coragem de ser imperfeito ( Sextante, 2016)

Medo da humilhação

… – “não  consertamos o narcisismo de alguém colocando a pessoa no lugar dela e  lembrando-a de sua mediocridade. A humilhação está mais para a causa desses comportamentos do que para a sua cura. “

Por essa ótica aquela pessoa que criticamos por querer chamar a atenção dos outros para si mesma sofre de um terrível medo de não se sentir bom o bastante para ser visto, admirado e aceito.

Tudo que aparece nas redes sociais, na TV, na mídia de um modo geral são coisas especiais. Uma vida comum acaba se transformando em algo humilhante e desta forma seu valor é medido pela quantidade de likes que recebe na foto que postou em um restaurante badalado, no tapinha nas costas que ganha ao exibir o carro novo, que por sua vez será pago em 60 meses ( Ninguém precisa saber deste detalhe).

As ideias de grandeza e a necessidade de admiração parecem um bálsamo para aliviar a dor de sermos comuns e inadequados –  Brené Brow

O engraçado de tudo isso é que essa necessidade de admiração só causa mais necessidade de admiração. Como somos influenciados por todos os lados para sermos especiais a coisa fica cada vez mais difícil.

Como sair dessa armadilha que nós mesmos nos colocamos, seja por se expor ou em outros casos, por nos sentirmos humilhados por aqueles que se expõem?

Como tudo isso influencia em nossas finanças,  em nosso consumo e planejamento financeiro?

Como aceitar que ser comum é normal e ser normal é ok?

Imagens por melkhagelslag –  Katielwhite91 – Pixabay

6 thoughts on “O medo da humilhação de ser alguém comum

  1. Não tenha redes sociais. Você não precisa dela pra nada, não te acrescentam nada e só lhe fazem perder tempo.

    A única rede social que tenho é whatsapp. Facebook não acesso a 5 anos e Instagram eu nem sei pra que lado vai.

    1. Oi Dedé,

      As redes sociais tem realmente tomado muito tempo das pessoas mas também tem ajudado em outros momentos. O próprio Whatsapp tem ganhado uma importância muito grande para a comunicação de um modo geral. No entanto ele também caminha para nos levar à distração e ao consumo como todas as outras.
      Neste caso precisamos entender que as redes sociais não fazem nada, somos nós de um modo geral quem fazemos.
      Nos limitar ao uso, ao conteúdo reproduzido e compartilhado é uma postura muito saudável.

      Abraço.

  2. Eu acho que todos estamos travando um batalha diária, é complicado avaliar.
    Eu tenho muitas pessoas que me seguem no Instagram, raramente posto no feed, mas converso muito com várias pessoas por direct, tento sempre compartilhar livros e coisas gratuitas .
    Tem uns meses atrás eu exclui minha conta, recebi várias mensagens de pessoas pedindo pra que eu voltasse.
    Passei a respeitar quem gosta de rede social.
    Nós nos sentimos sozinhos, uma presença, ainda que virtual ajuda na luta diária.
    Tinha um tempo que eu me achava superior por não ter Facebook, me sinto ridícula por isso. Ninguém é melhor ou pior por ter rede social. Assim como a pessoa não se torna boa por ser vegetariana.
    Hoje olho com mais carinho para essas questões e não julgo ninguém.

    1. Oi Rossana,
      Com certeza não devemos demonizar as redes sociais ou o comportamento das pessoas. Acho que ter uma visão critica e bem realista das coisas nos tira da alienação e isso é o mais importante. Mas como você coloca, sem julgamentos já que ninguém é melhor ou pior por usar redes sociais.

      Bjos

  3. Oi querido s2
    Tenho a impressão que se for normal, não parece ser muito atraente. Digo em tudo, pra família Geral, para relacionamentos amorosos então, nem se fala.
    E acho que está intimamente ligado a possuir coisas. Quanto menos vc possui coisas, mais julgado por “não ter nada” será. E isto nos dias atuais, tbm não é atraente.
    E é por isso que todos querem ser amostrados de alguma maneira.
    Viver assim normal é simples, mas não é fácil, não é mesmo ?
    bjos

    1. Oi Ana,
      Bom ponto que colocou, ser normal não é nada atraente, não é sexy. No fundo todos nós queremos ser especiais, e de certa forma até somos, mas acredito que essencialmente especiais em nossa intimidade, com as pessoas que temos carinho e amamos.
      Acho que o grande problema é esse mimimi de mindset da riqueza e do sucesso que vem sendo amplamente difundido, a vida não é tão simples como colocam e isso traz muita frustração para as pessoas.

      Bjos.

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