Comportamento

Nunca seremos livres

27 Maio, 2021 Sapien Livre 6Comment

Acho que uma das maiores utopias da humanidade é acreditar que podemos ser livres e isso é muito contraditório pois esse blog só existe por uma vontade angustiante de liberdade.

A Matrix da Matrix

As ideias Liberais deixam de ser liberais quando são alcançadas. Aqueles que gostariam de sair da casa dos pais para não cumprir regras, quando o fazem, se apequenam, criam suas próprias regras de aprisionamento. O topo da montanha deixa de ser topo e se torna plano… uma angustiante e broxante planície.

Claro, tratamos aqui de liberdade financeira, independência financeira e mesmo esses termos comuns recebem inúmeras definições diferentes e sempre estaremos presos a alguma ideia pré-definida.

Primeiro ansiamos pela possibilidade de não precisar vender nosso próprio tempo, a fuga da Matrix, da corrida dos ratos de qualquer forma que seja possível. Depois da conquista, de todo esforço, logo uma outra necessidade aparece… é a Matrix dentro da Matrix, saímos de uma caverna para entrar em outra.

Nossas escolhas, apesar de acreditarmos que são nossas já estão preestabelecidas pela nossa cultura, pelo ambiente que vivemos, pela religião, pela sociedade de um modo geral. Nada o que escolhemos é puramente livre, tudo está enviesado em nosso subconsciente, já estamos determinadas à escolhas e decisões.

Mesmo aquelas que contrariam o senso comum, de alguma forma, são impactadas pelo ambiente que estamos inseridos, resumindo, não existe escolha, mesmo achando que estamos escolhendo.

Os rótulos e a autoafirmação

Nós temos a mania de nos colocarmos em prisões, principalmente quando nos definimos de alguma forma. A exemplo disso, quando me coloco como minimalista e existem algumas atitudes e posturas que são esperadas por minimalistas, eu me coloco nessa caixa dos minimalistas.

Neste sentido eu passo a me policiar de coisas que gostaria de fazer ou que até julgo adequado fazer, mas não realizo pelo fato de ter me colocado na caixa dos minimalistas. Assim como também se me considero FIRE, me coloco nas características e modelos que definem alguém como FIRE.

Compreende que tudo isso é prisão? Tudo isso é Matrix, não existe nada, mesmo sendo totalmente racional ou colocado de forma fria, que também não esteja pré-estabelecido em nosso subconsciente pelo ambiente que estamos inseridos.

Somente os sentimentos mais primitivos são livres, somente a emoção mais selvagem ignora os “valores” e o contrato social. Desta forma viver a vida em sociedade de forma livre não existe, é impossível e utópica.

Nossas vidas não são apenas nossas, e mesmo se tornando um ermitão não estaremos livres de uma busca por uma vida feliz, somos seres sociáveis e a dor é um estimulante que aumenta a vontade de viver.

Evitar a dor também é prisão, nunca seremos livres.

Imagem por -Nasalune-FcK -Pixabay

6 thoughts on “Nunca seremos livres

  1. Bela reflexão, sempre tento não me encaixar em rótulos ou regras, mas qnd fugimos de uma jaula as vezes só estamos entrando em outra maior!!

    Abçs

  2. Acho que é mais questão de “escolher” nossas prisões. Com aspas mesmo, pois, não acredito (em ultima instância) no livre arbitro. Não escolhemos ser quem somos e gostar do que gostamos. Somos reféns de fatores externos e internos, sem duvida.

    Contudo, dentro dessa limitação, há algum tipo “escolha”, a qual deve ser suficiente, em tese. Há dores e prisões piores que outras, acho que concordamos nisso. N

    1. Olá Sisifo,
      Tem razão, existem dores e prisões piores que outras, em outra perspectiva, existem prisões que são agradáveis… As vezes tah tudo bem, neh?
      Abraço

  3. Gleison,

    Excelentes reflexões.

    Ansiamos pela liberdade, felicidade e ausência de dor, mas no fundo, se pensarmos de maneira um pouco mais profunda e distante de rótulos, não é difícil chegar à conclusão de que apesar de serem nobres e justos, tais objetivos são impossíveis de serem alcançados 100%.

    O que temos ao longo da vida são momentos em que podemos vivenciá-los. Apenas momentos.

    Quando eu tinha por volta de 5 anos já que questionava sobre a existência da felicidade. E por mais absurdo que possa parecer, eu achava que não havia nenhum adulto que fazia parte da minha rotina que estava à altura para uma esclarecedora conversa sobre o assunto.

    Eu via todos atrás de seus afazeres, de uma vida corrida, de ganhar dinheiro com um trabalho e gastá-lo para comprar coisas.

    Via meus avós aposentados, que tinham um certo orgulho de falar que trabalharam duro, que o pouco que tinham foi conquistado com sacrífico, com levantar de madrugada para o trabalho duro e em lugares que faziam mal à saúde.

    Ao mesmo tempo, não havia lugar para questionamentos: aprenderam assim e as novas gerações deveriam seguir pelo mesmo caminho.

    Então eu ficava pensando: a vida é assim?

    Com o tempo, fui chegando a conclusão de que existem momentos bons, momentos de alegria.

    Mas que a felicidade pura e completa é apenas uma utopia, uma ilusão que desde sempre é tão desejada pela humanidade.

    1. Oi Rosana,

      Que criança precoce você foi. Eu com 5 anos nunca questionei absolutamente nada. Só queria brincar…
      Vc tem razão, felicidade são pequenos momentos de alegria e diria até que quem é feliz o tempo todo, na verdade é alienado ou bobo.
      A dor é tão necessária para a felicidade quanto a cede é para quem deseja água.
      Bjos

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