2 Dezembro, 2019 Sapien Livre 4Comment

Eu escolhi minha profissão porque gostava e também porque acreditei que teria boa remuneração. Dez anos depois não gosto mais do que faço e nunca tive um excelente salário.

Não escolha sua profissão ou carreira considerando apenas o dinheiro

Quando pensamos em uma atividade profissional levamos em conta o nosso gosto pessoal e a remuneração média que a categoria paga. Algumas poucas pessoas levam em consideração algo mais grandioso como o propósito, porém existem alguns problemas nessa equação.

Quem garante que continuará gostando do que faz? Foi o que aconteceu comigo, por um período de tempo gostava do que fazia, depois não gostei mais. Então passei a trabalhar apenas pelo dinheiro, e diga-se de passagem, não era muito dinheiro apesar de ser maior que a renda média nacional.

Vendo por essa perspectiva teoricamente deveria ter escolhido uma profissão pelo dinheiro, certo? Errado! Se eu tivesse escolhido minha profissão apenas pelo dinheiro, com certeza, seria um profissional mediano, o que resultaria em salário mediano também. Além disso, eu provavelmente iria me arrepender e ficaria frustrado por não ter escolhido o que gostava.

Quanto ao propósito? Ele também muda. Muitas vezes passamos quase uma vida inteira acreditando em valores de bosta até perceber que não fazem mais sentido. Hoje em dia falar de propósito ficou na moda e até banal, mas a verdade é que nem todo propósito vale a pena.

Temos um conceito errado de carreira. Por que precisamos casar pelo resto da vida com nossa profissão? Acho uma covardia, ainda jovem, escolher algo que teremos de fazer para sempre. Esse é o grande problema, um jovem de vinte anos precisa tomar uma decisão que ainda não está preparado.

Tomada a decisão, depois de formados, começamos a trabalhar e se, de repente, percebemos que não está mais rolando, não desistimos. A gente simplesmente não pode jogar tudo fora para começar do início novamente, mesmo porque, provavelmente, já temos obrigações financeiras que nos impede de estagiar, de ficar sem renda  e arriscar.

Ao contrário do que deveria fazer, nos afundamos ainda mais no que não gostamos, seja com uma MBA, um curso de especialização ou idioma. Sem contar que a frustração faz as pessoas buscarem recompensas momentâneas consumindo futilidades.

Em tempos de Black Friday e pessoas frustradas, shopping se torna hospital e lojas viram farmácias. Quando tudo isso não funciona, usa-se o resto do dinheiro para pagar terapia.

Por isso que a Independência financeira ( IF ) é uma ferramenta que nos liberta das amarras financeiras, simplesmente o dinheiro deixa de ser uma variável a ser analisada. Isso é realmente incrível! A IF nada mais é que um subproduto do amadurecimento sobre finanças e vida, não é possível separar uma coisa da outra.

Sabendo disso fica a pergunta: Se dinheiro não fosse uma variável, continuaria trabalhando com a mesma coisa ou pelo mesmo período de tempo que trabalha hoje?

Imagem por Analogicus – Pixabay

4 thoughts on “Não tome decisões baseado apenas em dinheiro

  1. Em “Dinheiro e Vida” é bem lembrado que não precisamos nos preocupar tanto com a profissão se mantivermos nossos sonhos em paralelo e que esse trabalho consiga sustentar o plano de IF, dedicando eficiência afim de buscar aumento de remuneração, e não esperar nada mais que isso do trabalho. Sociedade nos força a acreditar que temos que buscar todas as realizações/satisfações dentro do emprego remunerado, porém nada mais é que uma maneira de escravizar ainda mais, com o poder da ilusão.
    Muitos dos casos de depressão ocorrem devido à frustrações profissionais, em que o indivíduo percebe que todos os valores que depositou e acreditou na atividade que desempenhava nunca foram e nunca serão reconhecidos, o funcionário é somente um número e ele precisa gerar retorno.

    1. Esse livro é realmente incrível. Você tem rezão quando fala que muitos dos casos de depressão ocorrem devido a frustrações profissionais. Na empresa que trabalhava tínhamos reuniões em que a diretoria tentava passar aos funcionários o dever de seguir o teórico propósito da empresa também para nossas vidas. Eu conseguia ver o constrangimento na cara das pessoas, quietas e caladas, ouvindo aquele monte de besteira e concordando com a cabeça.
      O emprego em raros momentos podem ser alinhados com o prazer e propósito, mas na maioria das vezes só irá lhe garantir uma fonte de renda. Como você fala, temos que buscar a melhor remuneração a fim de encurtar nossa IF. Esse é o verdadeiro propósito!!
      Abraço.

  2. No meu caso acabei sendo levado pelo dinheiro, me formei em ciência da computação e antes de terminar a faculdade tinha passado no concurso da caixa econômica. Quando me formei conhecia pessoas que tinham mestrado na minha área que ganhavam menos que eu. Continuo no banco, em janeiro agora faço 8 anos e há uns 3 anos estou lá unica e exclusivamente por conta do dinheiro. Ganho bem mais que a média do brasil e espero aguentar por uns 13 anos até alcançar a F.I.R.E.

    BG
    Sniper

    1. Olá Sniper,
      Eu tentei enquadrar os dois lados, tanto da renda como do que eu gostava. Eu acreditava que minha área iria pagar bem. Sou turismólogo e trabalho com eventos corporativos de grandes laboratórios. Por um período de tempo eu gostei muito do que fazia. Nos últimos dois anos passei a não gostar mais. A gente muda, né? Mas penso que não posso me arrepender pois se tivesse feito diferente ficaria remoendo porque não fiz o que queria na época. É complicado, mas não posso dizer que foi ruim, foi o resultado da profissão que escolhi que me fez chegar até aqui.
      Escolher a profissão apenas pelo dinheiro é uma boa estratégia se você utilizar o dinheiro para atingir seus verdadeiros propósitos, acho que é o que vc está fazendo. A maioria das pessoas que ganham bem e não gosta do que faz usa o dinheiro como remédio para suas frustrações gastando e consumindo de forma desenfreada e sem consciência.

      Grande Abraço

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