15 Dezembro, 2017 Sapien Livre 0Comment

 Ira entender neste artigo porque os índices de inflação amplamente divulgados pelo mercado quase nunca refletem a sua realidade.

Quase a totalidade, dos poucos brasileiros que fazem investimentos, o fazem em renda fixa ( somente 0,3% da população investe em ações).  Todo investimento de renda fixa tem seu rendimento atrelado a algum índice, este índice recebe o nome de indexador.

INDEXADORES

Dentre os indexadores que mais se deve ter atenção, são os índices de inflação, pois estes estão diretamente ligados a outras variáveis como a taxa SELIC e consequentemente o rendimento dos investimentos em renda fixa, já que não faz sentido deixar dinheiro investido rendendo menos que a inflação.

Entre os índices de inflação mais comuns e utilizados temos:

IPCA  – (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) Medido pelo IBGE

O IPCA é calculado mensalmente e geralmente é apresentado dentre um período de 12 meses. Este índice é utilizado como uma forma de medir a inflação do país. Seu objetivo é monitorar a evolução dos preços na economia de um modo geral. 

IGPM – (Índice Geral de Preços do Mercado) Monitorado pela FGV.

É registrado também mensalmente e calcula a evolução dos preços de diversos segmentos da economia. Este índice é muito utilizado para reajustar aluguéis e outras tarifas, como por exemplo a conta de luz.

Hoje, (15/12/17) enquanto escrevo este artigo o índice IPCA acumulando em 12 meses está em apenas 2,80%. Um índice considerado baixo para nosso país.

A grande pergunta que fica é…você está sentindo isso na sua vida?

Seu dinheiro está valendo quase a mesma coisa que no início do ano? Com todo respeito a estas instituições que fazem estas medições, não é essa minha percepção e nem a de ninguém que conheço sobre a evolução dos preços durante este ano.

No dia a dia, a inflação para a esmagadora  maioria da população é muito maior. Mas por que isso acontece?

COMO MATAR A SUA AVÓ

O índice IPCA espelha o custo de vida das famílias brasileiras com renda entre 1 a 40 salários mínimos. Oi?!!..entre 1 e 40 salários…?

Como é possível ter um dado confiável levando em conta um espaço tão grande entre rendas. Tirar uma média, por mais que se faça ponderações é quase impossível diante de tanta informação e complexidade.

 Este é um dos motivos que o índice IPCA é uma coisa e a inflação na vida real é outra coisa.

Vou exemplificar o problema de forma que entenda mais fácil.

Imagine que quer dar de presente uma viagem para sua avó. Como sabe da fragilidade de pessoas idosas à variação de temperatura, procura um local com temperatura média de 23 graus.

Escolhido o local com essa temperatura você envia a sua vozinha feliz da vida. Porém não sabe que acabou de condená-la a morte.

Cometeu um erro muito comum na economia que é dar atenção a média e não dar atenção a informações secundárias.

O local que escolheu tem variação de temperatura entre 17º graus negativos e 42º graus positivos em um único dia, o que fará a sua avó dar entrada no hospital no final do primeiro dia de viagem.

A média  de temperatura pregou uma peça na sua pesquisa e os dados secundários deveriam ser os mais importantes a serem considerados.

O grande problema destes índices é exatamente este, são gerais e não analisam como deveriam os dados secundários, que muitas vezes, são mais importantes que os dados primários.

INVESTINDO EM PERDA FIXA

Muito se fala que investir em renda fixa é seguro, porém quando não se dá atenção para inflação a renda fixa passa a ser um investimento perigoso.

Alguns podem perder para a inflação, então conclui-se que todo investimento de renda fixa que não tenha rentabilidade superior a sua inflação pessoal pode receber o nome de PERDA FIXA. ( Esta expressão pequei emprestada do maior investidor pessoa física do Brasil, Luis Barsi)

Um exemplo disto foi a caderneta de poupança em 2015, onde a remuneração foi de 8,15%, porém a inflação do mesmo ano foi de 10,67%.

E olhe que esta é o índice IPCA e não o que estamos discutindo neste artigo.

Indexadores economicos

REINVENTANDO A RODA

Como calcular a sua própria inflação?

De uma forma mais simplista, a melhor forma de fazer isso é pegar seu gasto anual, considerando que consome  as mesmas coisas, e ver qual a variação de preço com relação ao ano anterior.

Claro que existem gastos não recorrentes, ou seja, aquele que não se repetem. Estes devem ser excluídos para não criar ruído na informação.

Por exemplo, se gastou 30 mil no ano passado e no final deste ano gastou 33 mil, consumindo as mesmas coisas, pode concluir que a sua inflação pessoal foi de 10% e não de 2,8%, conforme o IPCA acumulado este ano.

Qualquer investimento que tenha rendimento inferior a 10% neste ano para você o fez mais pobre, apesar de todos especialistas falarem que teve ganho de renda.

Este é o grande segredo para acumular patrimônio, ganhar mais que sua inflação pessoal.

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