Comportamento

Festa ou velório?

16 Dezembro, 2021 Sapien Livre 6Comment

Faz três anos que deixei o mundo corporativo. Está chegando o final de ano e essa época marcada pelas festas de fim de ano, são três anos sem participar da famosa “festa da firma”. 

Todos reunidos para comemorar o ano que se passou. É muito engraçado aquele evento, sempre tem aquele personagem que vai beber mais do que deveria e passar vexame.

Tem também a galera da pegação, que se aproveita da combinação álcool e ambiente descontraído para fazer o que tinha vontade o ano todo, mas não tinha coragem.

Tem o tímido (a) que se revela o mais habilidoso dançarino da festa. Os estagiários, doidos com a novidade, (coitados mal sabem) todos esperançosos que ano que vem serão efetivados.

Tem sempre aquele momento do sorteio, alguns serão agraciados com algum prêmio, modéstia parte sempre tive muita sorte e ganhava alguma coisa bacana todo ano. (Assim seguia minha jornada feliz por ser um “escravo do sistema” sortudo.)

Em algum momento da festa o presidente/diretor da empresa vai apresentar alguns resultados da cia, como também vai falar sobre os desafios que foram enfrentados. Vai agradecer muito pelo empenho de todos, vai dizer que a maior riqueza da empresa são os colaboradores e bla bla bla… 

E nesse momento também que aqueles que se destacaram são premiados para o terror dos olhos invejosos e também injustiçados de muitos.

O mundo corporativo é um ambiente muito competitivo, cercado de inveja e falsidade. Muitos na festa estão ansiosos para que o ano termine, para que comece tudo de novo, e com isso a esperança de que o sofrimento da rotina do ano anterior não se repita.

Segundo pesquisa realizada pelo Survey Monkey, 90% dos brasileiros se dizem infelizes e insatisfeitos com o trabalho.

É por isso que esses eventos de final de ano são importantes, eles marcam o fim de ciclos. Trazem para a grande maioria das pessoas a esperança de que ano que vem vai ser melhor.

A mesma pesquisa mostra que 36,52% dos profissionais pesquisados estão infelizes com o trabalho que realizam e 64,24% gostariam de fazer algo diferente do que fazem hoje para serem mais felizes.

Mas a festa da firma é momento de celebrar, de comemorar aquele ano que se fecha, a vida deixada para trás. Tem que estar feliz, afinal de contas, você remou muito para estar lá, na fila da caipirinha de frutas com vodka ou saquê.

E ai de você demonstrar tristeza pelo fim do ano, os olhos de todos já estão mirando ansiosos para as novas metas e promessas de crescimento.

 – O próximo ano vai ser melhor, diz alguém que você encontrou na fila e trata como se fosse um amigo íntimo. Não há espaço para tristeza, afinal, são ótimos os fins do ciclo. É o momento de extravasar todo esforço, metas, lucro ou até prejuízos e mirar no próximo ano.

Pois é… A festa da firma muito se assemelha com um velório. A passagem desta para uma melhor, é a morte sendo velada em vida. Porque aquele que deseja viver o futuro nada mais está fazendo que matar o presente, e se mata o presente, vai viver o quê?

Bom, ao final da festa, provavelmente vai ansiar a próxima. Que sensação boa, não é mesmo? Essa que a festa da firma proporciona para quem não sentirá saudades do que vive hoje.

Mas fala aí…como é a festa de final de ano da sua firma?

6 thoughts on “Festa ou velório?

  1. A festa e o futebol de fim de ano eram legais demais quando eu era empregado! Depois de empreendedor, eu que fiquei de bancar a manguaça dos outros, mas era divertido.
    O “entre-safras” que você menciona é mal-quisto pra muitos, mas a validade das diversão de fim de ano rende até após o Carnaval, então dá pra dizer que 1/4 do ano é anestesiado.
    Abraço

    1. Mano, eu sempre me diverti muito. Mas também sempre tive um olhar observador. Os vexames que rendem até o carnaval é um fato, só basta saber quem serão os personagens. 25% do ano anestesiado é foda kkkk
      Abraço.

  2. Caramba… 90% dos brasileiros se dizem infelizes e insatisfeitos com o trabalho.
    Isso é muita coisa…
    Não que esperasse que 90% estivesse feliz e satisfeito, até porque a insatisfação é inerente ao ser humano né?
    Mas 90% é muita gente…

    1. Sim Glaucia, realmente é muita gente, mas sabe que não me surpreende. É só observar os próprios colegas de trabalho em uma roda de conversa, um happy hour ou até informalmente em reuniões. As reclamações e insatisfação são os assuntos, de longe, mais comentados.

      Bjos

    1. Verdade isso, o empreendedor é o empregado e o chefe ao mesmo tempo. Existe uma ideia em nossa sociedade que romântiza o papel do empreendedor, que na vida real, sabemos que é muito dura e complicada.

      Abraço

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