12 Outubro, 2019 Sapien Livre 2Comment

Um emprego é uma forma de vender o seu tempo. Vender tempo significa vender um pouco da sua liberdade todos os dias.

O seu patrão, agora dono de parte do seu tempo, terá o direito de te dar ordens. Você terá o dever de cumpri-las.

Você é pago(a) para atingir as metas da empresa. Os seus interesses pessoais, suas metas pessoais ficam em segundo plano. Durante as 8 horas comerciais, suas vontades se anulam, seus desejos não existem e todos os seus esforços são direcionados para satisfazer as exigências do seu patrão. Isto se chama dependência financeira.

Você só se submete a esta situação por depender da venda do seu tempo para sobreviver. Quando você nasceu, o mundo já era assim, mas toda relação de dependência é um atentado contra a sua liberdade.

Leandro Ávila

As empresas determinam a hora que você dorme e acorda, determina as roupas que deve vestir, as pessoas que terá companhia. Impõem até a hora que deve sentir fome, sem independência financeira estamos limitados a vontade e projetos do empregador.

O empreendedorismo, muito cultuado hoje em dia também pode fazer você escravo de si mesmo. Afinal de contas, você tem um propósito e se entregar a ele pode ser muito pior, pois ele tem domínio das vinte e quatro horas do seu dia.

Entenda, não confunda essas palavras acima como um discurso socialista contra o capital ou de algum cunho político ideológico. Trata-se apenas da fuga de um pensamento e comportamento de manada que a grande maioria das pessoas vivem sem nem sequer perceber e questionar.

Entre o sustento e a Honra

O escritor Nassin Taleb define sucesso como levar uma vida honrosa. Segundo ele, a honra implica em coisas que você jamais faria, ou seja, a honra não aceita meio termo, não aceita barganha, independente do ganho material ou até das perdas. As antigas culturas valorizavam a honra mais que a própria vida, em algum momento da história nos perdemos destes valores.

“Preciso pagar as contas, comprar o pão, sustentar a família”…

Estes são alguns argumentos válidos e muito utilizados por aqueles que adaptam seus valores ao seu trabalho ao invés de procurar um ofício que seja adaptado aos seus valores. Esse desalinhamento traz alguns efeitos colaterias, entre eles o sentido distorcido de utilidade, de valorização e até respeito.

Arriscar a própria pele, sofrer as consequências, pagar o preço para defender seus valores e ideias virou coisa de trouxa ou então de irresponsáveis.

Não importa se a empresa que você trabalha faz mal para o mundo, polui rios, envenena animais ou vicia crianças. Você precisa pagar as contas… mas será que vale a pena?

Quando falamos de liberdade financeira o dinheiro costuma ser assunto principal, mas na verdade buscar a independência financeira não se trata apenas de ter o domínio sobre seu tempo de vida, está diretamente ligada a uma forma de defender nossos valores, ideias de vida e nossa honra, seja lá quais sejam.

Imagem por Skitterphoto – pixabay

2 thoughts on “Entre o sustento e a honra

  1. Gostei muito desse texto! Hoje trabalho em um setor e empresa que têm produtos e serviços que são opostos aos meus valores. Várias vezes me pego pensando nisso, mas a facilidade de que muitas vezes temos em viver em dissonância cognitiva quando a sociedade aceita me faz aceitar. Ajuda no dia-a-dia, mas para nossa honra é muito prejudicial.
    Pelo menos existe uma motivação a mais para buscar a liberdade. Dinheiro e uma vida com meus valores mais presentes, essa é a meta!

    1. Olá Luiz,

      Por muito tempo também vivi com este mesmo dilema que você está passando. Minha motivação para poupar e investir passou a ser maior a cada dia, conforme você vai ganhando independência financeira, seja ela até parcial, você começa a ficar menos dependente do trabalho e ai já pode começar a buscar alternativas que estejam de acordo com seus valores.
      Eu pedi demissão do meu ultimo emprego antes mesmo de conseguir a independência financeira pois já tinha uma segurança financeira que me permita fazer isso. Acredite, é uma sensação muito libertadora.

      Grande abraço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *