16 Abril, 2020 Sapien Livre 4Comment

Um dia desses eu estava vendo videos no youtube de forma aleatória até que apareceu o vídeo um de um casal que viajava de moto, mais precisamente uma Strada 250 cilindradas, eles largaram tudo que tinham para viver essa aventura e já estavam um ano e meio percorrendo a América do Sul.

Faziam questão de dizer que deixaram trabalho, faculdade, casa e tudo que tinham. Também era possível observar que não tinham muita ideia do que seria de seus futuros. Vendo aquele vídeo comecei a fazer inúmeros julgamentos do tipo… –  Nossa, legal… mas e quando chegar a velhice, como irão se sustentar?; Se acontecer algum acidente possivelmente não terão nem sequer como voltar para casa. – Coisas do tipo que toda pessoa sem coragem de tamanha ousadia costuma julgar. Como diz escritora Brené Breown:

“Nada pode nos fazer sentir mais ameaçados e mais incitados a atacar e envergonhar os outros do que ver alguém vivendo com ousadia.”

É muito fácil ser solidário com pessoas que estão mal, que estão tristes e infelizes. Dar conselhos para pessoas que estão por baixo é uma beleza… todo mundo tem alguma opinião, algum conselho e algo para acrescentar. Agora tente fazer o mesmo com alguém irritantemente bem sucedido. Momentos em que você está tentando conseguir pagar a conta de luz em dia e sua amiga pede conselhos se deveria viajar para Europa ou Oriente Médio. Tente neste momento ser solidário com este tipo de sofrimento.

A gente costuma julgar pessoas que vivem com ousadia pois temos medo da vulnerabilidade que nos é exigido para ter intensidade nas realizações pessoais. Usamos nossos cargos, títulos, status, conta bancária e posição social como escudo para atacar quem ousa ser feliz independente do que os outros pensem. Afinal, eu sou quem sou e por isso posso falar de você e até ignorá-lo. Esse é nosso escudo para o não conformismo e rejeição aos códigos tradicionais de status.

Como alguém ousa se recusar as armadilhas de uma formação tradicional e de um emprego entediante em um ambiente cheio de pessoas desinteressantes? Isso é uma afronta e por isso precisamos criticar, julgar e fazer todo tipo de crítica nos vier na cabeça.

É claro que o casal que usei como exemplo no começo do post deve ter suas preocupações com relação ao futuro e, de uma forma ou de outra, encontrarão o caminho para viver com dignidade a velhice. Falo mais, é bem possível que, por terem tamanha ousadia, o destino traga um futuro bem mais seguro pois já aprenderam a se guiarem por caminhos arenosos e tortuosos. Afinal de contas, conforto é morte!

Imagem por aatlas –  pixabay

4 thoughts on “Conforto é morte

  1. Exatamente isso! Eu mesmo tive um colega de trabalho que largou o emprego logo após uma promoção (e o futuro à frente era promissor) pra passar 1 ano na Austrália. Acabou passando 3 anos, surfando, trabalhando nas mais diversas coisas e curtindo a vida.
    Quando voltou, em menos de 3 meses estava empregado de novo na área de formação e com salário melhor que o anterior.
    Claro que a prudência que nossa comunidade FIRE prega é fundamental, mas dá certo orgulho de ver essa galera (esse meu colega não tem a menor ideia do que seja Fire) aventureira cumprir seus objetivos e se dar bem.
    Quem vive de medo é o bicho-papão.

    1. O exemplo do seu colega de trabalho é ótimo, muitas vezes nos esperamos o memento perfeito para tomar alguma postura que vai nos fazer feliz. A grande maioria das vezes usamos desculpas para postergar, e quando vemos o tempo passou e nada aconteceu. Por muito tempo eu fui um sonhador, agora quero ser um realizador.
      Obrigado por seus comentários sempre enriquecedores.

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