29 Maio, 2019 Sapien Livre 2Comment

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Muitas vezes me sinto sozinho dentro das minhas práticas e pensamentos sobre dinheiro, trabalho e vida. Mesmo porque, acredito que essas coisas não podem se separar, caminham juntas.

Quando encontro pessoas que compartilham da mesma filosofia, aí então vejo que não estou sozinho. Existe sim muita gente que resolveu repensar a forma que lidamos com o mundo e nossa própria realidade.

Este é o caso de Yuca e família, ela tem o excelente site Viver sem pressa. ( Não deixe de visitar. ) Que assim como eu, é uma adepta do Movimento Fire e do Minimalismo.

Tomei emprestado seu excelente artigo, pois este é um daqueles textos que eu gostaria de ter escrito. Como não escrevi, pedi autorização para ter essa ótima reflexão aqui no blog.

Como desencorajamos as pessoas (mesmo sem querer)

Quando quis emagrecer, ouvi a frase: “ah, mas você já é tão magra, não precisa emagrecer mais”.

Quando comentei que queria ser uma mãe melhor, ouvi: “mas você tem que entender que você já é a melhor mãe que elas podem ter”.

Quando falei que eu queria ter menos coisas, ouvi: “nossa, mas você já tem pouquíssimas coisas. Por que você quer ter menos ainda?”.

Quando disse que eu estava tentando aumentar meus aportes mensais, ouvi: “Você já economiza tanto, pra que economizar mais ainda?”.

Quando compartilhei meu sonho de adotar um parque, ouvi um: “Assumir trabalho dos outros (no caso, da Prefeitura) é fazer papel de trouxa.”

Quando digo que faço parte do movimento FIRE (independência financeira, aposente-se cedo), ouço um sonoro “você e o mundo inteiro quer isso”.

Bom, por aí percebemos que não podemos ir na onda das pessoas.

De todos os itens acima, o único “projeto” que eu ainda não pude iniciar, foi adotar uma praça. Todos os outros, já estão em andamento ou até mesmo concluídos.

Sei que as pessoas fazem isso com o intuito de ajudar. “Você já é magra”, “Você já economiza o suficiente”, “Você já é uma boa mãe”… Eu sei que as pessoas fazem isso pensando no meu melhor, mas preciso dizer que muitas vezes não ajuda.

Percebo como as pessoas tem o costume de desencorajar as iniciativas alheias. Dificilmente as pessoas encorajam, dão suporte, elogiam. Muito pelo contrário, riem da desgraça alheia. Da roupa dos outros que julgam cafona. Da iniciativa que deu errado. Do português falado errado. Alegram com o fracasso do colega.

E com isso, acabamos criando a cultura do “desencorajamento”. São pessoas que ficam com medo de sair da zona de conforto, para não serem julgadas e ridicularizadas pelos próprios colegas e familiares.

Meu marido, físico e pesquisador, tem colaboração com a NASA. Sim. com a Agência Espacial Americana. Além dele ter amizade com alguns dos pesquisadores de lá, já escreveram juntos alguns artigos científicos. Para chegar nesse ponto, voltaremos um pouco no tempo.

Há alguns anos, ele foi para os EUA e fez uma apresentação de seu trabalho para um grupo de pesquisadores da NASA. Claro que suas pernas tremeram, claro que bateu uma insegurança, o medo de acharem sua pesquisa sem importância… mas no final da apresentação, todos foram cumprimentá-lo pela sua excelente pesquisa. Meu marido até fala, que o trabalho dele poderia não ter sido tudo aquilo que os pesquisadores da NASA haviam elogiado. Mas o fato deles terem elogiado, aplaudido, dado um tapinha nos ombros, conversado com ele, fez TODA A DIFERENÇA em querer fazer melhor, em querer continuar fazendo mais.

Ao invés de julgar, que a gente tenha a coragem de estender a mão para a pessoa que estiver precisando da nossa ajuda. Que a gente tenha humildade para reconhecer o esforço do outro e que consiga aplaudir as boas iniciativas. A gente esquece que um bom escritor não começa escrevendo um texto maravilhoso no início de sua carreira. Que um bom chefe, muitas vezes já errou tantas e tantas vezes, até aprender a ser mais humano.

Enquanto estava escrevendo este post, procurei no Google se havia algo parecido já publicado. E tive a grata surpresa que o Geração de Valor havia escrito algo a respeito, inclusive colocado um vídeo muito significativo sobre esse assunto:

“No vídeo abaixo, uma adolescente de 13 anos foi cantar o hino nacional americano numa partida da NBA. Nervosa, errou a letra do hino que já havia cantado dezenas de vezes, na frente de cerca de 20 mil pessoas na arena e milhões de outras que assistiam ao vivo na TV. Diante da situação embaraçosa que estava prestes a se transformar num inesquecível caos, o técnico de uma das equipes correu, ficou ao seu lado, segurou o microfone juntamente com ela e cantou, mesmo sem ser a sua especialidade, ao lado da adolescente que, em vez de ter sido vaiada e trucidada pelo público como frequentemente presenciamos, teve o apoio dos presentes, que cantaram junto com ela e, por fim, saiu aplaudida e abraçada por todos.”

~ Yuka ~

Link texto original: https://viversempressa.wordpress.com/2019/05/19/habito-de-desencorajar-a-iniciativa-dos-outros/

Imagem de capa por

2 thoughts on “Como desencorajamos as pessoas (mesmo sem querer)

  1. Oi Sapien,
    Muito obrigada por prestigiar o post. Você sabe que a recíproca é verdadeira. Entre tantos sites, tantos blogs, tantos conteúdos disponíveis na internet, ler seus posts tem sido uma inspiração!! Um grande abraço!!!

    1. Eu quem agradeço Yuka por este intercambio,
      Acho que só contribui para propagar a necessidade de reflexão em nossa sociedade, Você tem esse dom.
      Abraço,

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