Minimalismo

A Gourmertização da vida e o consumo romântico

11 Janeiro, 2020 Sapien Livre 4Comment

Hot dog gourmet, cerveja, hamburger, sorvete, barbearias, açougue e uma infinidade de coisas receberam o sobrenome gourmet. A modinha de colocar o gourmet como adjetivo nas coisas para dar um ar de diferenciação e por consequência, fazer as pessoas se sentirem especiais por consumir essas coisas e pagarem (sorrindo) trinta reais em um pão com salsicha não me parece muito inteligente, pelo menos para quem consome, mas ninguém questiona.

O Adjetivo gourmet serve para que as pessoas possam pagar caro por produtos com baixo teor de alguma coisa sem parecerem ridículas. Você pensa que a função de food trucks gourmertizados à restaurantes caros é alimentar as pessoas, mas na verdade eles são muitos bons em cobrar o olho da cara em pratos bem decorados a um custo mínimo de produção (modelo de negócio).

Neste sentido podemos dizer que as pessoas que possuem um pouco mais de dinheiro, tornam-se vítimas de empresas e pessoas que querem dar uma beliscadinha em suas contas bancárias e seus gordos benefícios de vale refeição, fazendo que percam qualidade de vida por seu próprio modo de consumo e estilo de vida. No entanto, como podemos chamar essas pessoas, com renda superior que noventa por cento da população, de vítimas?

Consumo Romântico

Eu amo viajar, se tem uma coisa que eu já gastei bastante dinheiro na minha vida foi com viagens. Existe uma máxima em que diz que viajar não é gastar, é investimento.

Consumo romântico é o culto à experiência, ao valorizar o sentir. Gastar dinheiro com experiência é valorizar pessoas e não coisas. Um conceito dificilmente questionado por quem quer que seja.

Com certeza esse tipo de consumo é benéfico a nossa vida na medida em que traz felicidade e não necessariamente nos torna acumuladores, porém é importante rejeitar a ideia de que se não estiver comprando objetos, roupas ou qualquer tipo de quinquilharia você não é consumista.

Não seria interessante questionar a necessidade que temos de viajar todo feriado prolongado que aparece? Até que ponto estamos condicionados a fazer isso porque não aguentamos a rotina a qual nos permitimos submeter todos os dias? E sim, estas práticas de consumo romântico, são exatamente a mesma coisa que passar um dia no shopping.

Afinal de contas, qual a diferença de consumo entre pagar caro em um smartphone ou em uma viagem para o exterior se não existe nenhum propósito?  Não sou contra o consumo, mas a partir de que momento posso considerar que minha viagem terá mais valor que sua ida ao shopping center?

Em outras palavras essa história de gastar dinheiro com experiências pode ser apenas uma desculpa (das mais esfarrapadas) para lidar com as próprias frustrações, gastando dinheiro, sem sentir culpa depois.

O que você pensa sobre tudo isso? Deixe sua opinião.

Imagem por Alexas_fotos – Pixabay

4 thoughts on “A Gourmertização da vida e o consumo romântico

  1. Está realmente tudo gourmetizado e é impressionante como as pessoas caem facilmente nesse marketing. Parece que as pessoas não sabem o valor que o dinheiro delas têm — não é à toa que tem tantas pessoas endividadas e com hábitos de gasto horrendos.

    Em relação às viagens, concordo plenamente! Já observou como a grande maioria das pessoas viaja pra Europa? Colocam vários países num espaço de tempo curtíssimo, tiram fotos em frente aos principais locais turísticos, não entram nos museus, igrejas… mas garantem a foto das mídias sociais e o discurso de que conheceram X países no velho continente.

    1. Ola E.P,
      Este exemplo que colocou sobre as fotos é muito comum mesmo. Até mesmo lugares que precisam de silencio o contemplação são invadidos por caçadores de likes. Procuro não julgar as pessoas, mas o comportamento é passível de reprovação.

      Abraço.

  2. O pior é que às vezes a gente se acostuma e nem vê. Com a pandemia, muita gente no condomínio que moro passou a vender (e divulgar no grupo do condomínio) as mais diversas coisas.
    Uma vizinha divulgou algo como “bolo de leite ninho + café cremoso = R$ 20,00”.

    Eu e minha esposa íamos pedir 2 “combos”, mas, pra experimentar, resolvemos dividir 1 só. Pelo valor, imaginávamos ser uma fatia simples de bolo e uma xícara de café num copo para viagem.
    Eis que chega à nossa porta um bolo que durou 3 dias pra comermos (e nós somos comilões) e um pote de café cremoso que deu para fazer 4 xícaras grandes (de 200ml), ambos deliciosos. Foram 2 refeições e meia (lanches da tarde) para 2 pessoas pelo preço de um único cappuccino na Koppenhagen.

    Serviu para o lembrarmos que custo e valor nem sempre andam juntos e refletirmos exatamente esse seu post, sobre o quanto não pagamos, muitas vezes por “experiências” quase sempre tão efêmeras que a esquecemos em 24h.

    Abraço

    1. Seu exemplo é perfeito, além de consumir algo de grande valor e baixo custo, vocês ajudaram uma família que está lutando para manter as finanças nesse momento difícil. Com certeza a Koppenhagem tem café de qualidade, mas a maior parte do preço está no nome que aparece na xícara.

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