6 Setembro, 2020 Sapien Livre 8Comment

Outro dia fui para a academia e me deparei com um aparelho que simulava uma escada, o equipamento é mais ou menos uma mini escada rolante. Nele, estava um amigo, subindo os degraus com programação para 20 minutos de exercício, o engraçado de tudo isso é que este meu amigo mora no 8° andar em um prédio, pega elevador todos os dias pelo menos umas quatro vezes.

Este é um exemplo clássico da dependência de domínio atuando no dia a dia e em nossa mente. As pessoas compreendem uma ideia em uma área de atividade e simplesmente não reconhecem a mesma ideia em outra. Em outras palavras, como diz Nassin Taleb:

“Os seres humanos, de alguma forma, não conseguem reconhecer as situações fora dos contextos em que costumam aprender sobre elas.”

Da mesma forma observamos médicos receitando atividade física para que o paciente fique mais forte e saudável e ao mesmo tempo, na mesma consulta, receitam antibióticos para infecções sem muita importância, facilmente curáveis ,de forma natural,  pelo próprio mecanismo de defesa do corpo.

Na economia vemos pessoas defendendo o liberalismo e o estado mínimo, no entanto, quase entram em briga corporal com alguém que proponha a extinção dos direitos trabalhistas. Já aqueles que defendem o estado forte, saúde, educação, serviços e assistencialismo governamental acham um absurdo ter que declarar e pagar impostos.

A gambiarra supera a os grandes especialistas

O maestro João Carlos Martins, depois de ter os movimentos das mãos paralisados, tentou de tudo. Diversas cirurgias com os maiores especialistas do planeta que o dinheiro pode pagar. E nada, cada nova cirurgia era um sofrimento, seguido de frustração e movimentos ainda mais reduzidos.

Quinhentos reais… foi esse o valor que um designer Industrial gastou para devolver os movimentos das mãos do maestro, uma gambiarra inspirada em amortecedores de carros de Fórmula 1. Algumas peças de fibra de carbono, parafusos e tecido foram suficientes para colocar doutores renomados mundialmente no bolso.

Hoje o mundo pode ouvir o maestro em ação novamente porque alguém conseguiu, como o mundo corporativo gosta de falar, pensar fora da caixa.

 

A dependência do domínio é uma miopia mental que nos faz perder oportunidades, mesmo que ela esteja olhando para gente.

Perdemos a capacidade de encontrar soluções fáceis, simples e com baixo custo. Neste sentido só conseguimos desenvolver sabedoria e racionalidade quando lutamos para superar e transpor essa barreira mental, é preciso muita atenção para treinar nosso cérebro e instigar e exercitar a criatividade.

Imagem por pixabay – ninocare

8 thoughts on “A dependência do domínio

  1. Verdade Sapien. E isso pode ser aplicado em diversos locais, pessoas que vão de carro até a academia, poderiam ir a pé e já começar a fazer um aquecimento, ao invés de ficar caminhando na esteira. Conheci uma pessoa há alguns anos, que sofria com sobrepeso, e isso fazia ter dores nos joelhos, hipertensão, dores de cabeça, e ela tomava muitos remédios para minimizar as dores que sentia por conta do sobrepeso. Se conseguisse emagrecer, poderia parar de tomar a maioria dos remédios. Um beijo.

    1. Total Yuka,
      Nossa dependência por fazer e pensar as coisas somente nos ambientes que dominamos tira muita oportunidade de melhoria e inovação.
      Bjos

  2. Muito bom. Parabéns. Lembra uma história conhecida, que não sei se é verdadeira, de que a NASA gastou milhões no desenvolvimento de uma caneta q afuncionasse no espaço e na primeira vez q foram testa-la na estação espacial o cosmonauta russo pegou um lápis, de algum centavos, e fez a mesma coisa.

    1. Hahah… bem isso. As muitas vezes as coisas simples são uma ofensa para pessoas inteligentes, então acabamos ficando cegos para soluções como esta que descreveu. principalmente quando existem milhões de dólares disponíveis para desenvolvimento. O dinheiro mata a criatividade.
      Abraço.

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